Bichos Vermelhos, de Lina Rosa, é lançado em Belo Horizonte

Lina Rosa e Fernanda Takai no lançamento do livro Bichos Vermelhos
Lina Rosa e Fernanda Takai no lançamento do livro Bichos Vermelhos

 

O livro é dedicado à cultura infância e fala, de forma lúdica, sobre espécies ameaçadas de extinção

A previsão do tempo falava em forte temporal, acompanhado de apagões na rede elétrica. Mas a natureza quase sempre surpreende. Não é que o dia do lançamento da segunda edição do Livro Bichos Vermelhos, em Belo Horizonte, amanheceu azulado? Na calçada de pedras portuguesas da charmosa Livraria da Rua, do final da manhã ao início da tarde do dia 30 de novembro, o tempo voou feito pássaro raro. Bonito e delicado.

 

Cercada de amigos antigos e novinhos em folha, a autora Lina Rosa conseguiu fluir feito peixe em mar aberto. Momentos deliciosos entre gente da mesma espécie. Sensível e disponível para o sopro da alegria. “Tímido, o sol tocou minha pele na hora que eu escrevia para uma garota de nome Luzia. Os pequenos milagres seguem acontecendo. Agradeço e aprecio. Ternura especialíssima por Rosana Monte Alverne, minha superpoderosa menina-editora, diretora da Aletria”, comentou Lina.

 

A brava Livraria Quixote também abraçou o livro em terra mineira. No início de 2020, o Bichos Vermelhos será lançado nas Livrarias da Travessa no Rio de Janeiro, na Livraria da Vila em São Paulo e, relançado no Recife.

O livro já está à venda nas seguintes livrarias:

Rio de Janeiro: Blooks, Travessa, Bambole, Booklook, Clube Girafa, Empório das Letras, Argumento, Insight, Malasartes, Timbre.

Belo Horizonte: Compor, Leitura, Terra Azul, Macaco que lê, Conhecer, Quixote, Livraria da Rua, Moulin, Scriptum, Starkids.

Fortaleza: Livraria D.Pedro, Interativa, Estudante, Atual, entre outras. (essa informação recebi hoje da Aletria)

Em breve em todo o Brasil.

O livro Bichos Vermelhos

Em declínio de prioridade das atividades infantis –  e animais em extinção,  juntos em Bichos Vermelhos, são como uma obra de resistência a um mundo que não parece prestar atenção às suas perdas cotidianas. Essa relação entre a experiência pouco valorizada do papel e a conscientização sobre espécies em extinção que já quase desconhecemos, ganham na obra Bichos Vermelhos, da escritora Lina Rosa, uma bela metáfora.

 

O projeto editorial aprofunda a experiência lúdica ao trazer “retratos” em engenharia de papel da lista vermelha, ranking de alerta da União Internacional para Conservação da Natureza de espécies ameaçadas de extinção. Além dos textos fluídos e cheios de curiosidades desejosas, e de numa narrativa que aproxima aquilo que até parece “estranho” ao dia a dia das crianças, a obra faz uma brincadeira inspiradora com a representação imagética desses animais de carne e osso como esculturas 3D em papel. Tal jogo de aproximação de linguagem fica ainda mais real com a experiência de montagem e colagem de bonecos ao fim da leitura.

 

“Queria falar de algo tão raro e transpor duplamente para uma experiência tátil. A intenção é unir a preocupação de ampliar a vivência cotidiana das crianças com o livro, em tempos cada vez mais digitais, mas também de que elas vivam como fato, de maneira real, o que está acontecendo na natura silvestre que ante nossa ambientação urbana nem paramos mais para refletir. O livro é o instrumento e um convite para tornar hábito o que entre tantas transformações vem sendo raro: tanto as espécies ameaçadas de extinção quanto a própria leitura”, comenta a autora.

 

Sobre Lina Rosa

Uma das vozes mais atuantes do grupo nacional de trabalho Cultura Infância, Lina Rosa estreia na literatura conversando com o público que bem conhece e tratando do tema que mais lhe desafia. A segunda tiragem da publicação tem 2.000 cópias, e foi editada pela Aletria, de Belo Horizonte.

 

“Nos apaixonamos pelo livro da Lina à primeira vista. Ansiávamos por um livro que falasse da diversidade da fauna brasileira e dos perigos que a espreitam de um jeito leve, bem humorado, acertado e ao mesmo tempo poético e sensível. A obra de Lina conseguiu tudo isso e tornou-se um título lítero-informativo como não se vê habitualmente no mercado. Além disso, todo o projeto gráfico, as ilustrações e o acabamento aveludado da capa proporcionam uma experiência estética e sensorial ao leitor. De mais a mais, o tema torna-se ainda mais relevante com os recentes dados divulgados sobre o desmatamento da Amazônia, os incêndios criminosos, os desastres ambientais em Minas Gerais que abriram uma ferida difícil de cicatrizar. Precisamos falar sobre preservação do meio ambiente, da fauna e da flora. Precisamos tomar partido urgentemente: o partido da NATUREZA. As crianças e jovens merecem saber dos Bichos Vermelhos de Lina Rosa, afinal, são eles que podem garantir um futuro sustentável para todos nós. Sinceramente? Melhor presente de Natal não há.” (Rosana Mont’Alverne, editora da Aletria).

 

Os protagonistas

Curiosidades sobre 20 animais brasileiros dão vida a Bichos Vermelhos, com texto leve e dinâmico, sempre lembrando da responsabilidade de todos sob a preservação da natureza. “A lista de animais em extinção está sempre mudando. Escolhi espécies curiosas e carismáticas, mas é um material que pode ter continuidade sempre. É um assunto que tem que ser despertado para interesse desde a infância, porque estaremos formando uma sociedade mais ativa e consciente sobre os cuidados com os animais e as consequências de vivermos em um país naturalmente tão rico, mas ainda carente em consciência ecológica”, completa.

 

Quem é Quem

A ariranha, que não é prima da aranha, pode ser identificada pela mancha no pescoço. O pássaro bicudo, o “garganta de aço”, sofre com a captura e o comércio ilegal. O caburé-de-pernambuco, é uma das menores corujas do mundo e a última vez que se viu um foi em 2001. O cachorro-do-mato vinagre é um animal arisco e que sofre com o desmatamento, assim como a codorna-buraqueira, que vive nos cerrados brasileiros tão maltratados.  O galito é um passarinho que tem uma calda colorida, que lembra a do pavão.  A jaguatirica é a prima menor da onça e está na lista assim como a onça-pintada, o maior felino das Américas.

 

O lobo-guará está na lista desde 1968 e  o macaco-prego-galego, em 2010, foi apontado entre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas em todo o mundo. O peixe-boi-marinho é um animal que sofre com o turismo agressivo e destruição de mangues e rios. O periquito-cara-suja é a mais ameaçada entre periquitos, araras e papagaios. Já o passarinho pintor-verdadeiro é visto em gaiolas por aí.O porco-espinho esperança é a espécie que tem a descoberta mais recente: 2013, em Pernambuco. Mal foi catalogada e já está na lista das extintas. O tamanduá-bandeira é dócil e é incapaz de morder (não tem dentes), mas ainda assim está ameaçado.

 

Tartaruga-de-pente tem esse nome porque a sua casca serve para a produção de pentes, escovas, óculos, etc, mesmo sendo proibida a comercialização. Dois tatus estão na ameaçados: o tatu-canastra, animal ágil que consegue cavar túneis embaixo da terra e o tatu-bola, que não cava buracos e por isso é presa ainda mais fácil. Não se salva no país do futebol, seu único país de morada. O tico-tico-do-campo é procurado pelo homem pelo belo canto, prejudicando sua reprodução. Já o tubarão-baleia, que não ataca ninguém, é presa fácil de caçada.

 

Escritora e Diretora Criativa do Projeto Gráfico: Lina Rosa
Fotografias: Helder Ferrer
Ilustrações: Erick Vasconcelos e Rebeca Melo
Consultor científico: Enrico Bernard
Editora da 2ª edição: Aletria

 

 

Com Ronaldo Fraga e o livreiro Alexandre Machado
Com Ronaldo Fraga e o livreiro Alexandre Machado

 

 

 

 

Com Cau Guimarães e Consuelo Lins
Com Cau Guimarães e Consuelo Lins

 

 

 

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