Luiz Geraldo

Fundador

Black Tie




ELE USA BLACK TIE

Para Luiz Geraldo Vieira, apresentador do Noite de Black Tie e fundador da Aliança.

João Cabral de Melo Neto, em seu poema O Relógio diz: ¨(…) como a gente às vezes canta para se saber existente.” Talvez fosse para se saber existente que o menino humilde de 10 anos, órfão de pai e já machucado pela morte do irmão mais velho, fazia de sua voz a construção de sua identidade, treinando solitário para ser locutor de rádio. Com um copo de um lado, um copo do outro e uma linha de sonho no meio, Luiz passava horas a fio repetindo palavras, frases curtas, testando pronúncias, trabalhando o que nem sabia ser o timbre.





Menino-homem, sua única diversão era a de brincar com os sons. Aos 16 anos, começou sua carreira de comunicação como locutor na Rádio Jornal do Commercio, participando ativamente da era de ouro da radiofonia brasileira.

Aos 24 anos de idade, entrou literalmente com a cara e a coragem no mundo da televisão. Foi o primeiro rosto visto pelos pernambucanos através da telinha. Durante 8 anos, apresentou e dirigiu o programa de auditório Noite de Black Tie. Vestido a rigor, com todo rigor na escolha dos artistas, o apresentador se tornou largamente conhecido, respeitado e admirado. No Black Tie, aconteceu um pouco de tudo. Roberto Carlos, antes e depois do Calhambeque, quando seu cachê pulou de calhambeque para jaguar. Elis Regina, no momento em que perdeu a voz quando cantava Arrastão e quase arrastou seu Luiz à loucura. Juscelino Kubitschek, após ser entrevistado no quadro Cadeira de Engraxate, do programa, fugiu para uma farra homérica, acompanhado do elenco de vedetes no antigo Bar Canavial. No capítulo Boêmia, Luiz Geraldo tem um currículo invejável. Tomou cachaça com Adoniran Barbosa, no Bexiga, e uísque com Vinicius de Moraes, em Copacabana. Caminhou por quase toda a orla de Boa Viagem com Antônio Maria e ao final do passeio, ouviu do escritor: “ Estamos todos cansados: eu, meus pés e minhas mãos.”




Em setembro de 1963, no auge dessa efusão cultural, Luiz Geraldo Vieira, junto ao seu primeiro sócio, Fernando Ramos, fundou a Aliança Propaganda Limitada. Rompendo as fronteiras do Brasil, o Noite de Black Tie se tornou o primeiro programa nacional a ser transmitido de Nova York, durante a Feira Mundial de 1966. Era o tempo também das propagandas ao vivo e das gafes de matar. Dos grandiosos espetáculos. De audiências que atingiam quase 100% dos telespectadores.

Passadas cinco décadas, muita coisa mudou. Inclusive a Aliança Propaganda, que virou Aliança de Publicidade, que virou Aliança Comunicação, que virou Aliança Comunicação e Cultura. Inspirada no DNA inventivo do seu fundador, a agência faz da invenção o abridor de horizontes, o alargador de limites, o pregador de sonhos. Eh, poeta Manoel de Barros.
Para democratizar o acesso à cultura. Para ampliar as possibilidades criativas. Para motivar e respeitar o pensamento. Para fazer chegar mais e mais conteúdo inteligente. Aos milhões de brasileiros que não usam Black Tie.