Cidade histórica de Areia/PB recebe os Bonecos do Mundo

Teatro de Minerva Bonecos do Mundo Aliança Comunicação e Cultura

Do alto de sua divindade romana, os cabelos de Minerva se enrolavam e remexiam inteirinhos. Que ventania era aquela a abrir portas e janelas de casarios centenários? A impulsionar crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhinhos para o teatro que leva o nome da deusa da poesia? Forte, muito forte, o vento trouxe sua música em zunido de acordeom. Criadores e criaturas suspensas por fios, vindos em navio-pirata-do-bem.

Oxe! E tem mar em pleno Brejo paraibano? Ah, minha gente, na cidade histórica de Areia tem rio. E ele fluiu em direção ao teatro mais antigo da Paraíba. Inundou o monumento com Bonecos do Mundo. Do sul do Brasil, do norte da América. 300 pessoas e uma divindade. Sim! Minerva assistiu a tudinho do topo do telhado. Viu os corsários desembarcarem em festa. Mirou meninos e meninas de 8 a 80 anos adentrarem em fila atrás daqueles seres divertidos. Ouviu os gritos estridentes de alegria. As palmas eufóricas, mesmo antes de terminar o primeiro número.

No teto, o lustre de ferro, com cada um de seus seis braços, envolveu a emoção. À volta do teatro, duas frisas em formato circular faziam o mesmo. Foi aí que os candeeiros, distribuídos nas paredes laterais se apagaram. No breu, um foco de luz invade o palco e surge a mais bela das bonecas que a menina Luísa já vira. Ela, que havia colocado seu vestido bordado em rendas e seu sapato de brilhos dourados para assistir ao espetáculo, alcançou um mundo além de Oz. Sem nem saber que aquele marionetista fez os bonecos do filme de mesmo nome.

Ao final, no templo da cultura erguido há 160 anos, a plateia também se ergueu. Aplausos de pé. A ventania virou tornado na imaginação. Luísa mal acreditava que as marionetes do Philip Huber tinham vida. E Dona Maria Roserita? Contou que, em 72 anos, jamais rira tanto. “Agora, toda vez que passar na frente do Theatro Minerva, vou me lembrar dessa tarde.” Foi em 16 de novembro de 2018. Dia em que a bela Areia, a 130 quilômetros de João Pessoa, viu Minerva deixar de ser estátua. E dançar em liberdade.

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)

Fotografia: Beto Figueiroa

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *