Dragão do Mar recebe Bonecos do Mundo

BONECOS DO MUNDO 2018 ALIANÇA COMUNICAÇÃO E CULTURA

Ser anfitriã não é tarefa fácil. Nem todo mundo tem o dom de receber e deixar a visita à vontade, como se em casa estivesse. Já eu, ah!, adoro visitas! Desde que me plantaram na Praça Verde do Dragão do Mar, vejo gente entrando e saindo e, aqui no meu cantinho, já presenciei um bocado de coisa bacana neste centro cultural. Mas esse ano foi muito especial para mim. Eu, que já assisti a tanto espetáculo, pela primeira vez na vida virei artista. Recebi o Bonecos do Mundo em meu jardim de caules, folhas e seivas abertas. E o festival, muito gentilmente, retribuiu com o reconhecimento de meu maior talento: dar a madeira para os mestres mamulengueiros esculpirem o mamulengo.

Sim! Mamulengo vem do mulungu. E eu lá, toda prosa e iluminada, percebia o povo curioso para saber que tanto colorido era aquele que saía de mim. Um moço que entende de plantas passou e perguntou: isso é mulungu-da-flor-vermelha ou mulungu-da-flor-amarela? Caro amigo, especialmente agora, sou o que mais gosto de ser: mulungu. Só mulungu mesmo. Palavra que leva a origem da minha mais preciosa matéria. Carregada de mamulengos pendurados em meus galhos. Frutos deliciosos que não se comem com a boca. Se degustam com a alma. Alimentam a poesia, as fantasias, o desejo das pessoas de se deslocarem para lugares inimagináveis.

Movimentação essencial para a cultura do povo, que faz do boneco o espelho da própria vida, em presepadas, reflexões, sorrisos e lágrimas. Reflete a liberdade de falar o que bem quer. Paudório no lombório do politicamente correto! Ser livre para viver inteiramente a própria essência é a melhor sensação da vida. Vixe, como me senti uma árvore importante! Tanto que meus frutos-filhos se tornaram Patrimônio Imaterial Brasileiro. Vê só que chic-chic! Não é pra eu ficar toda prosa? Aqui de cima, assistindo a um cultivo imenso de espetáculos de 8 países e 8 estados Brasileiros. Se pudesse me curvar para agradecer, faria. Feito fazem os artistas quando a peça termina. Gratidão às 30 mil pessoas que circularam por aqui. Atravessaram a porta invisível da minha casa para encontrar o inesperado. Coisas mágicas acontecem quando um velho pé de mulungu encontra as mãos dos mamulengueiros.

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de criação)
Fotografia: Beto Figueiroa
Para saber mais sobre as nossas ideias, acesse www.aliancacom.com.br.

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