Bonecos do Mundo volta a Fortaleza

Bonecos do Mundo Fortaleza 2018, projeto da Aliança

Esperar coisas fora do comum. Alice estava tão acostumada com isso que nem ligava mais em aumentar e diminuir de tamanho. Mas o inesperado aconteceu.

E Alice, que achava que tinha visto todo tipo de encanto nesta vida, ficou boquiaberta. Havia escorregado em buracos profundos, nadado com ratos, conversado com gatos e coelhos, mas cair num espaço como aquele? Ah! Era a primeira vez! Quando deu por si, estava em um dos lugares mais lindos em que havia flutuado em seu mundo de fantasias. Só que era realidade. E a realidade também pode e merece ser linda. Avistou vitrais coloridos, adornos sutilmente moldados em ferro fundido. “Seria uma caravela que me levaria para bem longe?”, indagou a menina. Quase isso, Alice. Era um teatro com contornos de antigas embarcações. O Theatro José de Alencar, em Fortaleza, que leva pessoas para lugares inimagináveis desde 1910, quando foi fundado, e virou patrimônio do povo cearense.

Era o primeiro dia do Bonecos do Mundo no Estado. Ao adentrar por aquele portal, começou a magia: deixou de ser uma pessoa de pele e osso e transformou-se em uma boneca de pano, de fios, de desenho e sentimentos. “Se eu não sou eu mesma, quem eu sou?”, questionou a menina. Como nós, um tanto loucos e libertários, Alice deixou-se ser conduzida pelos marionetistas da companhia Giramundo, de Minas Gerais, e observou que o encantamento não estava só nela.

Ainda nas coxias, enquanto esperava o espetáculo começar, Alice viu, pelas frestas da cortina, o templo da cultura começar a ser inundado. Enchente de pessoas que também queriam ver bem de perto o País das Maravilhas. Era gente, gente, tanta gente entrando pela porta da frente, pelos cantos. Alice sorriu e percebeu que não era naufrágio, era alegria.

Foi assim também nos dois dias seguintes. Cadeiras bordadas em palhinha de cana-brava, lindas demais, se mexendo e trocando de lugar com a mesma liberdade de movimento que os bonecos nos ensinam. Mais de três mil pessoas nos três dias de espetáculos. Alice Live, com Giramundo e Pato Fu; Aladim, da companhia tcheca The Forman Brothers’ Theatre; e Antologia Poética, do espanhol Jordi Bertran. Andares do Theatro repletos, pátio externo cheinho de cabeças curiosas e pensantes em frente à grande tela que projetava as peças.

No ano de 2018, estreamos com muito orgulho em 5 de novembro, quando é comemorado o Dia Nacional da Cultura. Ao final de cada espetáculo, mais um encanto acontecia: aplausos ininterruptos. Palmas, assovios e gritos de felicidade ecoavam tão alto que pareciam ser gerados por mais de 2,3 milhões de pessoas, as mesmas que estiveram no Bonecos do Mundo em 15 anos de epopeia. Bem nas terras da escritora que escreveu O Quinze. Salve Rachel de Queiroz! Salve José de Alencar! Salve Bonecos do Mundo no Ceará!

Idealização e curadoria do Bonecos do Mundo: Lina Rosa Vieira (nossa diretora de Criação)

Fotografias: Beto Figueiroa

Para saber mais sobre os nossos trabalhos, acesse www.aliancacom.com.br.

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